O resultado do primeiro turno da eleição brasileira foi intensamente comemorado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, em suas redes sociais. Milei ficou eufórico com a vantagem que o candidato e senador Flávio Bolsonaro, a quem chama de “amigo”, registrou na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição.

O argentino tem reiterado suas críticas e insultos ao presidente brasileiro e enfatizado que com Bolsonaro, caso eleito, a “liberdade” ocupará quase todo o continente americano.

Atualmente, os governos do Brasil, do Uruguai e do México são praticamente as únicas exceções na onda de direita e de extrema-direita nas presidências dos países da América Latina. Nesta quinta-feira, Milei fez uma postagem de um mapa da América Latina com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sendo a única sentada, isolada, em uma mesa de presidentes e diante da faixa que diz: “Fórum de São Paulo”. Na cadeira do Brasil, aparece a bandeira nacional. Milei também já publicou posts em suas redes sociais com Flávio Bolsonaro como presidente ao lado dele e de outros líderes da América Latina que também são da direita ou da extrema-direita.

A votação em Flávio Bolsonaro turbinou o sentimento de Milei contra Lula e os líderes que não compartilham de suas ideias e que ele chama de “socialistas” ou “comunistas”.

Neste ambiente hostil, o retorno do embaixador do Brasil, Júlio Bitelli, para Buenos Aires é considerado “impossível” ou, no mínimo, “distante”, como comentaram fontes do governo brasileiro. Bitelli retornou para o Brasil depois que Milei subiu ao palanque de Flávio Bolsonaro na convenção do PL, em São Paulo, quando disparou insultos contra Lula. “É verdade que o presidente Lula apoiou (o então presidenciável) Massa na disputa presidencial com Milei, mas o presidente Lula não fez nem de longe o que Milei está fazendo com essa série de agressões”, disse uma fonte do governo brasileiro ao Clarin em Português.

Ao mesmo tempo, nos bastidores de Brasília, crescem três nomes para a cadeira de chanceler no Itamaraty, caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno da eleição presidencial – na campanha de Lula acredita-se fortemente que é possível conquistar votos nas três semanas que faltam para o novo pleito e ainda virar o resultado registrado no primeiro turno.

Os nomes no bolsonarismo, apontados para o Itamaraty, são Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, a ex-ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e senadora Tereza Cristina (PP) e o diplomata Roberto Azevêdo que foi diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC). Entre os três, Eduardo Bolsonaro é o nome que gera maior preocupação na diplomacia brasileira, principalmente por sua atuação, comentam, nos Estados Unidos “de apoiar e estimular medidas contra o Brasil, como os tarifaços aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.” Eduardo Bolsonaro costuma ser chamado de "traidor¨.

Ainda falta o segundo turno, no dia 25, para sabermos os rumos do Brasil.